segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma visita a 2003

Espanta-me que nunca tenha feito referência direta ao ano de 2003 por aqui. Há tanto a se falar sobre essa época, tantas lembranças a resgatar, que a ausência de relatos sobre suas histórias me surpreende. Não havia planejado escrever hoje, muito menos enquanto o dia caminha para seu amanhecer, mas a madrugada é convidativa, especialmente sendo feriado.

Música é sempre um agente motivador para vir aqui escrever. Por trás de muitos posts, está uma canção que despertou a vontade de escrevê-lo, muitas vezes associada à lembranças de outras épocas em que as ouvia. Hoje não foi diferente. Se Incubus é minha banda preferida, muito se deve a esse ano, que teve uma série de momentos marcantes eternizados através de suas canções, que os serviram como trilha sonora.

Ouvir o "Morning View" durante a madrugada transportou-me para 2003. Em especial, para uma breve passagem ocorrida em sua reta final, aproximadamente no mesmo período do ano em que agora estamos. Porém, antes de descrevê-la, é preciso pontuar algumas coisas sobre essa época. A mais importante delas, sobre dois dos meus melhores amigos que viveram comigo esses tempos.

Eric e Tiago formavam comigo um trio quase inseparável na escola e, muitas vezes, fora dela também. Não era um trio pré-determinado ou restritivo para sê-lo, mas estávamos quase sempre juntos no que fazíamos (o que não inclui idas ao banheiro ou atividades comprometedoras, é bom dizer). Tiago era o parceiro ideal para risadas, visto que um sempre sustentava e incentivava a brincadeira e bagunça do outro. Eric, por outro lado, era a minha opção imediata na hora de uma conversa mais séria ou reflexão, dividindo comigo pensamentos e análises acerca do que nos comprometíamos a conversar. Embora tais características fossem mais acentuadas para mim, nada impedia que o inverso ocorresse também. Foram várias as risadas ao lado de Eric, assim como foram muitos os diálogos reflexivos que tive com Tiago.

Um deles envolve justamente o que escolhi relatar aqui hoje. Recapitulando de onde havia parado antes da não tão breve observação acima, estávamos na reta final do ano de 2003. Os amigos que vivenciaram essa época têm o mesmo carinho que tenho ao lembrá-la, pois foram vários os motivos que a tornaram especial. Apesar disso, havia chegado em novembro com a certeza de que não seguiria ali no ano seguinte. Passados 9 anos estudando no mesmo local, sentia que havia conquistado tudo o que havia projetado ali, ansiando por novidades e novos desafios em outro local. Não é necessário entrar a fundo nos méritos disso, mas sim dizer que estava próximo ao fim do meu ciclo por lá.

Embora tivessem tentado em vários momentos me dissuadir dessa idéia, a medida em que o ano encaminhava-se para seu fim, conformavam-se que não iria abandoná-la. Por isso, raramente entrávamos no clima de despedida antecipada, procurando viver cada momento sem pensar que poderia ser o último. Isso ajudava a amenizar a saudade que viria depois. Porém, em uma aula que já não lembro de qual matéria era, foi inevitável trazer esse assunto à tona. Se não era a última aula do ano, era algo próximo disso. Ainda teríamos muitos momentos nas aulas de recuperação, alguns deles, aliás, dos mais clássicos do ano, mas aquele era um dos últimos em nossa turma original.

Como não podia ser diferente, estávamos eu e Tiago sentados na parte traseira da sala, o famoso "fundão", habitat natural de nosso grupo de amigos. Não me recordo o que motivou nossa conversa nesse dia, mas ela assumiu um teor mais sério até do que outros papos mais sóbrios que costumávamos ter. Se falho em lembrar de alguns detalhes, a recordação visual da cena é tão clara que me sinto quase como um espectador ao lembrá-la. Estávamos cada qual com seus braços cruzados, sentados, olhando fixamente a frente. Vez ou outra um comentário gerava um sorriso discreto, ao invés das habituais gargalhadas. A noção de que aquele período de ouro estava perto do seu final enfim apresentava seu peso emocional.

É difícil dizer em que ordem seguiram os diálogos, mas fizemos uma breve retrospectiva de como havia sido o ano até então. Eram inúmeras as lembranças, mas cada uma delas estava ali naquele momento. Músicas, mulheres, amigos, e tudo o mais que havíamos vivenciado, passando em frente aos nossos olhos a medida em que as evocávamos através de palavras. Até mesmo recordações mais pessoais eram divididas. Embora permanecesse com o olhar fixo a frente, sentia que a mesma emoção que essas lembranças geravam em mim eram compartilhadas pelo meu amigo ao lado. O tom de voz mais tênue do que o de costume evidenciava.

Após tantas lembranças relatadas, veio a pergunta que não precisou ser pronunciada: "como será depois, quando tiver acabado"?
As recordações então deram vez à projeções futuras, incluíndo perspectivas de como estaríamos todos nós anos depois, que caminhos iríamos seguir. O senso de que tínhamos poucos dias com todos os amigos reunidos era comum a ambos, assim como era unânime que precisávamos aproveitá-los como sempre fizemos antes que chegassem ao fim. A conversa foi encerrada com uma frase que se tornou costumeira entre nós, mas que, nesse dia, fez mais sentido do que em qualquer outro: "Daqui a alguns anos a gente vai lembrar dessa conversa e sentiremos saudade desses tempos".

Dito e feito. Em uma das várias conversas pós-2003 que tivemos, relembramos esse momento. Mais precisamente esse ano, 6 após o ocorrido. A recordação gerou uma curiosidade. Perguntei a ele se a pessoa a qual havia me tornado era fiel à projeção feita nesse dia, se havia seguido o caminho que ele imaginava que fosse trilhar. Ouvi que sim, mas com uma ressalva que também me surpreendeu. Estudava aquilo que já demonstrava gostar desde aquela época, assim como continuava o mesmo cara de antes, no jeito de ser e lidar com as coisas. O que não se concretizou em sua imaginação foi o meu envolvimento com a música. Vários fatores indicavam que teria um espaço maior na minha vida, o que acabou não acontecendo. A banda que ele imaginou que em algum momento fosse montar nunca existiu até o dia dessa conversa, o que surpreendeu até a mim. Hoje, felizmente, posso corresponder à essa projeção de uma maneira mais completa, já que a música enfim teve o espaço que merecia.

Como dito naquela célebre frase, cá estou, anos depois, relembrando com saudade dessa época. E, mais feliz ainda, pela projeção feita naquela ocasião ter acertado o detalhe de maior importância dito ali: continuamos todos grandes amigos.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus, aquário

Alguns minutos me separam do final de mais um ciclo. Em tese, ele já terminou, visto que a pauta final foi cumprida, mas só será oficial da porta para fora. A partir do momento que cruzá-la, estará selado. Após dois anos e pouco mais de 15 dias, é chegada a hora de dar adeus ao estágio. Por opção própria, é verdade, mas que não ameniza a saudade que já sinto. Há novos caminhos a trilhar. Será estranho imaginar que, depois de dois anos, voltarei a ter tardes livres de obrigações. A princípio isso me causou certo alívio, e certamente saberei aproveitar bem esse tempo vago que tanto quis e me será útil, mas agora a sensação de vazio também se faz presente. É reaprender a lidar com o ócio para preenchê-lo bem.

Nem parece que faz tanto tempo que começou. Ainda lembro da minha entrevista no primeiro dia, no já longínquo 2007. Um ano que foi, em grande parte, desgastante no dia-a-dia, mas que deu uma guinada a partir de outubro, com boas novidades surgindo. O estágio certamente foi uma delas. Desde pequeno me imaginava nessa situação, estando em uma agência. Ser parte de uma só ratificou esse antigo desejo. Não tenho outras experiências que me sirvam de parâmetro, mas acredito ser felizardo por começar com uma tão positiva. Meu primeiro passo profissional. Imagino daqui a décadas, quando for um profissional mais experiente (e bem sucedido, espero), ao lembrar dessa época recente. Não é preciso esperar até lá para ter a noção do que representou.

Procurei encarar essa última semana como de costume, sem entrar a fundo no clima de despedida, embora este fosse recorrente em minha mente sempre que dava espaço para lembranças vagarem. Mesmo hoje, vim como se fosse mais uma sexta como outras tantas. Mas a ficha foi caindo a medida que cada um se despedia, até que fui o último a ficar. Agora, com a sala vazia, cada detalhe da mesma grita uma lembrança a ser levada. Sei que as portas daqui continuarão abertas, mas acredito que, ao cruzar a porta, o que agora é passado não mais será revisitado, e novos capítulos serão escritos em outro lugar. O último deles por essas bandas, ao menos, valeu a escrita e foi digno de registro.

Quando entrei na agência e me foi destinado um computador, procurei um fundo de tela que substituísse aquele azul padrão. Queria algo que transmitisse serenidade, então procurei por imagens relacionadas a oceanos, meu sinônimo para paz. Testei algumas, que não harmonizaram bem com os ícones de tela, deixando-a visualmente poluída, até que cheguei a esta imagem que precede o texto. Não era exatamente o que queria, mas era clean o suficiente para ser funcional, e já não estava mais com saco para testar outras. E assim ficou. Acabou tornando-se marca registrada de cada PC que utilizava na agência, acompanhando-me cada vez que migrava para um novo. O pessoal achava graça por não ver nexo na escolha da imagem, e mais ainda por não haver uma explicação óbvia para usá-la. Agora, após dois anos, e prestes a encerrar esse ciclo, enfim fez sentido. O peixe, que conhecia apenas os limites do seu aquário, será agora parte do vasto oceano.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"--Any minute now!"


10 minutos

"The announcing will commence at 3PM - 30 minutes from now"

Ou seja, 17h daqui. Mais 10 minutos.

Enquanto isso, segue a imagem do link deixado na mensagem anterior, que não tava conseguindo abrir:



Ri alto dessa! HAHAHAHA

Quem assistiu a cena protagonizada pelo Kanye West no último VMA sacou a brincadeira:

http://www.youtube.com/watch?v=1z8gCZ7zpsQ

Ao menos serviu pra dar uma relaxada nessa ansiedade pré-anúncio.

A volta dos abóboras


Anúncios musicais, especialmente vindo daqueles artistas que admiro, sempre criam expectativa. São um misto de ânsia pela divulgação, e animação pelo que pode estar vindo. Pegando todos (e por todos, entenda "fãs") de surpresa, o site oficial do Smashing Pumpkins divulgou no início da semana que hoje, quarta-feira, publicaria um anúncio oficial do seu líder (e único remanescente da formação original) Billy Corgan, com novidades sobre o novo álbum (!!!) da banda, incluíndo seu nome, entre outros detalhes.


Os Pumpkins têm sido parte frequente da minha trilha sonora nesses últimos dois anos, após anos de indiferença ao som da banda. Indiferença esta que me custou não ter acompanhado o lançamento dos seus álbuns anteriores, perdendo assim aquele clima empolgante de ir conferindo cada novo detalhe liberado a medida que o álbum vai sendo divulgado.


Embora tenha me tornado fã durante a era Zeitgeist, acompanhei seu lançamento sem maior atenção. Lia notícias aleatórias, sem grandes expectativas, enquanto, aos poucos, testava aquela sonoridade ao meu gosto. Aprovado o som, vivi o lançamento de outros dois materiais da banda, o EP de inéditas "American Gothic", e o DVD "If All Goes Wrong". Porém, por melhores que fossem, não têm o peso e relevância de um álbum de inéditas, ainda mais vindo de uma banda que já lançou pérolas como "Mellon Collie & the Infinite Sadness" e "MACHINA: The Machines of God" (pra não citar os demais, de igual valor).


Desde o final da era Zeitgeist, muito já foi dito e mostrado, assim como mudanças importantes aconteceram. Jimmy abandonou o posto de baterista da banda, não sem antes tocar algumas canções até então inéditas em alguns shows. Casos da pesada "As Rome Burns", da agradável "Owata" e da bela e sutil "Song For a Son", que já ganhou mil e uma versões ao vivo. Billy montou uma banda para testar canções, na companhia de um punhado de músicos amigos (entre eles seu novo baterista, um garoto de 19 anos, e Dave Navarro) chamada Spirits in the Sky. Ouvi parte dessas canções através do youtube e, mesmo na qualidade duvidosa dos vídeos, gostei do que foi ouvi. Melhor ainda foi a promessa de que as melhores não havia sido tocadas, e sim guardadas para serem mostradas depois.


Então é chegado o dia. Através do Twitter da banda, uma série de mensagens vão sendo postadas aleatoriamente. Teasers como "Is everyone ready for the big announcement today?" e "You will all definitely be shocked by today's announcement - stand by for awesome" elevam ainda mais minha ansiedade e empolgação pelo que virá. Que o anúncio será grandioso está claro, mas e quanto ao choque sugerido? Afinal, que revelação seria motivo de choque?


Teorias?

Várias...


Seria a volta de algum membro original?

Um novo álbum duplo, nos moldes do "Mellon Collie"?

Uma nova sonoridade e proposta musical como em "Adore"?

Quem tocaria nesse novo álbum?

Qual seria a formação dos Pumpkins hoje, além do Billy?


Perguntas ainda sem respostas, mas que devem recebê-las em breve. Hoje.


Enquanto isso, o Twitter da banda segue com suas breves e instigantes mensagens. A penúltima delas, postada cerca de 1 hora atrás, diz: "It looks like 44 is the new 33..."


Decodificando, há duas referências aí. Ou, ao menos, duas supostas referências. Uma em relação à canção "Thirty-Three", um dos singles de sucesso da banda. Outro, em relação à uma declaração feita meses atrás pelo Billy, na qual dizia estar planejando lançar 44 canções. Qual a relação entre ambas, aí que mora o mistério.


Uma última mensagem foi deixada há exatamente meia hora atrás: "Some fun while we wait for the announcement...", seguida de um link que não consegui acessar. Por enquanto, isso é tudo que foi divulgado. Agora é esperar pelas próximas mensagens e pela tão esperada grandiosa e chocante revelação.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

What a Wicked Game to play


Se me pedissem para fazer um top 2 das minhas canções preferidas do Chris Isaak, provavelmente seria incapaz de preencher a segunda posição. Até pouco tempo atrás, aliás, sequer seria capaz de indicar a primeira, já que, sem motivo aparente, achava que a música da qual se trata o post seria original do A-Ha. Culpe minha ignorância musical em relação ao artista, ou ao fato do mesmo ter eternizado em sua voz uma das maiores baladas românticas de todos os tempos, o fato é que não conseguiria ir além de Wicked Game. E nem seria preciso. Ela, por si só, já vale a carreira do Chris. Bendita seja a mulher que um dia deixou o coração do rapaz em pedaços e o fez compor essa preciosidade, para servir de trilha sonora daqueles momentos nos quais apenas uma boa dose ordinária serve de companhia.

A guitarra melancolicamente dedilhada na introdução e pós-refrão, junto aos versos recheados de emoção, fazem-me sofrer por amor mesmo sem estar amando. Contagia! Já perdi a conta de quantas vezes a repeti desde que iniciei (o iTunes registra 12 até o presente momento, mas a conta vai além e segue).

Essa música vale a fossa!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

...e dois



Ok, acabei de fazer 22 anos. A transição para o dia 27 esse ano foi bem mais normal do que a do ano anterior, relatada aqui mesmo. Inevitável não voltar algumas páginas e ler o que havia escrito exatamente 1 ano atrás. Não foi preciso muito esforço para lembrar, até porque alguns episódios registrados ali voltaram a acontecer. Certo, não com exatidão, mas voltaram. O Bahia Recall não ocorreu na noite de véspera como antes, e sim dia 25, o que, em parte, acabou contribuindo para que os primeiros segundos da nova idade esse ano fossem mais caseiros. Aliás, desconfio que assim seriam se o evento tivesse ocorrido dia 26 novamente, já que esse ano deram fim ao cocktail pós-premiação (culpe a crise), e o substituiram por um show de Carlinhos Brown tocando rock n' roll (wtf!). Fiquei então com o tradicional parabéns materno à meia-noite, além de acompanhar as primeiras mensagens de felicitações via orkut em tempo real (voltei no texto há tempo de registrar a primeira ligação recebida). Estranha mesmo foi a reprise de outra lembrança do aniversário passado. Naquela ocasião, li notícias e e-mails chamando atenção para um acontecimento apelidado de "Duas Luas", que ocorreria no início da madrugada do dia 27. Como estava celebrando em uma festa na hora estipulada, não conferi se de fato o fenômeno havia acontecido. Eis que esse ano recebo exatamente o mesmo e-mail, o que me deixou intrigado. Supostamente, isso só voltaria a acontecer em 2287. Ou viajei no tempo sem ter noção do meu feito, ou tem algo muito mal explicado aí. Fico imaginando se isso é uma notícia falsa veiculada todo ano, pra fazer os trouxas ficarem acordados até tarde olhando para o céu. Como não chequei ano passado, apuro depois. Curioso ter citado no texto do ano passado que, ao fazer 21, tornava propícia uma viagem para o exterior, por ter acesso à coisas e lugares antes legalmente inacessíveis. De fato, viajar dessa vez com maioridade plena tornou as coisas ainda melhores. E as curiosidades aproveitáveis do texto passado ficam por aí. Não aproveitei minha oportunidade de liberdade para casar, e acredito que não o farei por mais alguns anos. Mas a vida é imprevisível, quem sabe. Poderia passar o resto da madrugada escrevendo aqui, até porque já estava com saudade disso, mas as obrigações valem também para hoje. Os presentes que ganharia se faltasse com meus compromissos na faculdade (2 faltas) e trabalho (demissão) não são lá tão atraentes assim. Nos próximos dias pretendo postar algo que venho pensando há meses. Vai dar um certo trabalho escrever, mas o farei com prazer, até porque envolve música. E pra não deixar de citar algo musical por aqui, a trilha sonora dos primeiros instantes dos 22 foi uma que até pouco tempo não esperaria. In My Place, do Coldplay. Belíssima, como o CD da qual faz parte. Mas essa conversa, e tantas outras, ficam para o próximo post. Até lá, boa noite, e parabéns para mim!